domingo, 15 de maio de 2011

COISAS BOAS DA VIDA

Um final de semana entre amigos é sempre tão bom. Dia nublado, frio e feliz em Atibaia.



Mais vale um amigo do que 100 conhecidos!

Fundo Musical: Vento no Litoral (Legião Urbana)

domingo, 8 de maio de 2011

SAINDO DE CASA

Percebi depois de algum tempo que estava evitando sair de casa, quase como um dejavú de uma época da minha vida, há 10 anos atrás. Por algum motivo o Universo conspirou ao meu favor e estou hospedada na casa dos amigos mais pró-ativos que eu conheço e aqui ficar dentro de casa não é uma opção. Tenho saído regularmente para caminhadas, programadas ou não, e o melhor: tenho me divertido. Ainda sinto alguma ansiedade, mas aos poucos sei que vou me acostumar a viver no ritmo de Sampa, afinal sou filha daqui e passei 20 anos da minha vida nesta selva de pedra. No termômetro dos meus sentimentos posso dizer que me sinto "Quase em paz".

:: Caminhada pelo Parque da Água Branca: 


:: E claro, eu não poderia deixar de registrar que já estava com uma certa abstinência da poluição, dos prédios, do congestionamento da Av. Paulista e 23 de maio:






:: Mas o Ibirapuera continua lindo, um oásis de paz no meio da Selva de Pedras:



 :: E eu acho que estava com saudades da noite paulistana, fui comemorar o aniversário de uma amiga na Cantina e Pizzeria Speranza (http://www.speranza.com.br/) em Moema. Noite ultra agradável (apesar do frio):



"Permita que eu escute a mim e não aos outros." (Autor desconhecido)

"Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo de plantamos" (Provérbio chinês).
Fundo Musical: "Você vai lembrar de mim" (Nenhum de Nós).

domingo, 24 de abril de 2011

DE VOLTA ÀS ORIGENS

Cheguei em São Paulo com aquela abstinência por coisas sem as quais vivi nos últimos 5 anos, como Cinema, McDonald e até congestionamento.
Fui ao shopping para assistir "Cópia Fiel" (não gostei),  quase morri quando vi o preço dos lanches no McDonalds e todos os outros preços de todas as coisas que me fizeram cair na realidade do quão alto é o custo de vida em São Paulo e me deram a mais nítida certeza de que não quero viver aqui, porquê mesmo com todas as facilidades que só uma metrópole como Sampa oferecem, o preço a se pagar (estou falando de qualidade de vida) é muito alto.
Estranha esta sensação de ser uma "sem teto", mas como disse a minha irmã, vou olhar pelo lado positivo: não preciso levar desaforo para casa porquê eu não tenho casa...pelo menos nos próximos 2 meses.
Enquanto isto vou tentar aproveitar a "mobilidade" que é poder ficar em muitos lugares pelos próximos dias, rever os amigos, a família, os espaços, as coisas, os sentimentos...

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. (Cora Coralina)

Fundo Musical: Chega de Saudade (Tom Jobin) e na sequência: A Paz (Gilberto Gil).

sexta-feira, 15 de abril de 2011

JÁ ESTÁ CHEGANDO A HORA DE IR...

Assim, ontem eu finalmente consegui vender os móveis do escritório e hoje vendi grande parte dos móveis da casa. Amanhã virão retirar. Ontem pequenos objetos já foram. Eu esperei tão ansiosamente por este momento, mas agora estou com uma sensação de vazio, como se estivessem tirando pequenos pedaços da minha história. Nem é tão fácil quanto eu imaginei trabalhar o desapego. O pior é olhar para a Mel (minha cachorra) e saber que na próxima semana não estaremos juntas mais. Ela que foi minha fiel companheira, que me alicerçou com o seu amor genuíno e incondicional em todos os momentos difíceis dos últimos 5 anos, que me deu só alegrias.
Claro que ela está indo para uma família amorosa, que será tão bem tratada quanto é comigo, terá companhia, amor, cuidados. Meu coração está meio despedaçado.
Tento me focar no futuro, nas novas possibilidades. Tento até lembrar do que foi ruim nesta cidade, mas dizem que a gente se acostuma até com o que é ruim, não é?
Ir embora significa aceitar que realmente acabou, que não vou mais ver o meu pai, que a nossa casa foi vendida, que meus laços foram definitivamente rompidos, que agora eu preciso olhar e zelar por mim e que não sou mais necessária (sim, porquê a ilusão de sermos necessários ameniza nossas próprias frustrações).
É chegada a hora de ir. De recomeçar. De fazer novos planos, morar em outro lugar, rever velhos amigos, me re-encontrar.
No momento em que estou escrevendo, tenho aqui ao meu lado um dos grandes amigos que fiz aqui, um grande companheiro, um filho adotivo, um irmão de alma sempre presente, vai doer esta separação.
Mas ces't la vie. E la nave vá.
Que o velho vá , para que o novo possa vir. Já recomecei outras vezes, não deve ser assim tão difícil, não é?

"Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos e foi com eles que vivemos os melhores anos de nossas vidas!" (Autor desconhecido)

Fundo Musical: Despedida (Erasmo e Roberto Carlos) e na sequência: Tempo Perdido (Legião Urbana)

segunda-feira, 21 de março de 2011

PROCRASTINAÇÃO

Procrastinar, para quem não sabe o que significa, é o nosso popular "empurrar com a barriga", adiar algo que precisa ser feito, até se tornar urgente e você ter que fazer correndo.

É isto que tem acontecido comigo. Na verdade, acho que sempre fui uma procrastinadora, mas ultimamente isto tem se tornado crônico, e a meu ver chega a ser irresponsável da minha parte.

Conscientemente sei que preciso melhorar em relação a isto. Vou lembrar de falar a respeito quando eu for na próxima sessão de terapia (se a terapeuta for, claro, porquê hoje esperei 1 hora e 40 min. e a bonita nem ligou para dizer que não ia, mas isto foge do nosso assunto do post).

Tem um vídeo que eu acho bem bacana sobre procrastinação, vou compartilhar aqui (mesmo quem não sabe inglês consegue entender e a parte gráfica do vídeo é linda):



"Procrastinação é decidir ir, querer ir, ter de ir, mas ficar se enrolando nas despedidas. Pior é achar que são os outros que não o deixam ir.' (Asmóteles de Pléon)


Fundo Musical: "Tente outra vez" (Raul Seixas)


SOBRE A LEALDADE

Eu tenho uma certa obsessão por lealdade. Se eu frequento um salão de beleza onde sou bem atendida, certamente nem olharei para outro local, assim como qualquer outro serviço ou loja que eu necessite, se eu tiver um bom atendimento, podem contar que serei cliente fiel.

Nos relacionamentos em geral, também me pauto pela lealdade. Tanto em termos profissionais quanto pessoais. De forma que, é muito difícil pra mim lidar com a traição. Sei que as pessoas são livres para buscar outros empresas, conquistar novos amigos, buscar serviços diferenciados, e eu aceito isto se eu for informada sobre o que está acontecendo. Porquê acredito que todo mundo tem o direito de poder mudar. Por exemplo, digamos que eu preste um serviço que não esteja agradando, tenho o direito de saber para poder melhorar. Caso eu não cumpra, aí a outra parte estará coberta de razão em buscar outra parceria. O mesmo se dá em relação a amizades, nos casos em que eu falhe como amiga, ou magoe alguém, tenho que saber para poder consertar, para não cometer o mesmo erro.

Estive pensando que talvez eu seja uma pessoa um tanto quanto inflexível e que estou sujeita a falhas e erros e que eu não deveria me sentir tão mal quando me sinto traída em relações pessoais ou profissionais. Mas ainda não consigo evitar, porquê a lealdade é um valor que está muito arraigado na minha personalidade.

Acho que às vezes tenho um complexo de Polyana e acredito que todo mundo é bom, que todos são confiáveis, que falsidade não existe. Mas não é bem assim. Contra fatos não existem argumentos e ultimamente alguns fatos têm me mostrado que as máscaras sempre caem. Que um dia, sempre, alguém vai ser vítima de deslealdade.

Eu sempre digo para os meus amigos que eu gosto do meu lado ruim. Claro que eu tenho! Sou humana. Quem me conhece sabe que não sou tão boazinha e que não faço muita questão de esconder quando não gosto de alguém, quando não desejo que certas pessoas não sejam as mais felizes do mundo, enfim, sentimentos feios e mundanos, mas pelo menos ninguém nunca vai ter que dizer que fui falsa. A civilidade é uma virtude, a sociedade é manipuladora e as relações sociais nos exigem aparentar sempre o que as outras pessoas querem que sejamos. Lamento. Ainda não dou conta.

Com isto a maior prejudicada sou eu. Em termos de negócios por exemplo, não sou muito agressiva. Porquê a ética é irmã gêmea da lealdade. E eu respeito até os meus concorrentes. Sempre digo, se me perguntas, quais são so pontos fortes deles.

Bom, talvez hoje eu esteja um pouco sensível. Talvez esteja me sentindo meio vítima e com dó de mim mesma. Talvez (muito provavelmente) algumas coisas que têm me acontecido sejam apenas um reflexo de certas atitudes que tive (ou pior, não tive). Ainda assim, no final, eu contava com a lealdade.

"Seja leal para consigo mesmo. Não altere o seu comportamento apenas para contentar os outros." (Yogaswami)

"A lealdade é um dos pilares que sustentam o real valor do homem." (Textos Judáicos)

Fundo Musical: "Faz um milagre em mim" (Régis Danese) e "Senhor, eu sei que tu me sondas" (Aline Barros)

TENTANDO ACEITAR

Faz alguns anos que não posto aqui no blog. Na verdade ele sempre foi meio que um divã de analista, onde eu podia colocar para fora minhas angustias, incertezas, alegrias, conquistas e momentos de vida.

Muita coisa aconteceu desde a última postagem. Para mim, a mais traumatizante foi perder o meu pai. Sei que eu deveria pensar que foi melhor assim, pois nos últimos meses que antecederam a sua morte ele já estava perdendo a qualidade de vida e quando amamos muito alguém é complicado ver a pessoa com limitações. Mas o meu pai amava viver. E apesar de tudo que eu fiz, do quanto me empenhei em tentar fazê-lo mais feliz nos últimos tempos, ficou comigo uma sensação de que falhei no último dia, sabe? Ainda me pergunto: e "se eu tivesse feito isso" ou e "se eu tivesse feito aquilo". Entendo também que seja presunçoso da minha parte realmente acreditar que eu poderia alterar os desígnios de algo muito mais grandioso que eu e, afinal, todos nós aqui na terra começamos a morrer a partir do dia em que nascemos. Meus sentimentos alternam. Ás vezes sinto que eu fiz tudo, absolutamente tudo de melhor que estava ao meu alcance. Outras vezes me lembro do último dia de vida dele e fico com raiva de mim pensando se falhei de alguma forma. O que eu mais gostaria na verdade, era poder esquecer os últimos momentos, quando ele se sentiu mal naquele dia, quando os bombeiros chegaram e vi a lágrima saindo dos olhos dele, quando eu não briguei tudo que deveria no hospital. Acho que eu poderia ter cobrado mais, ter brigado mais com aquele enfermeira, ter questionado mais aquele médico. A cena do meu pai em casa, as últimas palavras dele, ainda estão tão nítidas na minha mente.

Dia 10 de março fez 8 meses que ele se foi e ainda estou sofrendo tanto. Não tem um único dia em que eu não lembre, em que eu não sinta saudade.

Até que há uns dois meses tomei a decisão de procurar uma psicóloga, e pedir ajuda para lidar com este luto, porquê sinto que não estou administrando muito bem.
Alie-se a isto o fato de que meu foco nos últimos 4 anos era o meu pai. E não, ele não me pediu isto, eu que talvez tivesse me agarrado ao fato dele estar doente para eu deixar de viver. Eu simplesmente deixei de sair, de namorar, de viajar e foi me atolando em problemas, sempre achando que era tudo em função do meu pai. Hoje talvez eu já esteja percebendo que não. Que eu queria apenas uma muleta, que em algum momento eu desisti de viver e optei por sobreviver.
O que ocorre agora é que não tenho mais motivos para não sair, nem viajar, nem viver (ok, problemas financeiros também podem minar as energias de qualquer humano), e entretanto eu continuo morta-viva. Qual é minha desculpa agora?

Engordei horrores nos últimos quatro anos também, estou sem nenhuma qualidade de vida e me sinto tão engessada! Nada do que eu começo eu consigo terminar. Auto boicote puro! Uma busca constante por relacionamentos à distância (alguém me diz se não é um jeito de fazer com que as coisas não aconteçam em minha vida?).

Faz 4 meses que me mudei da nossa casa, porquê esta complicado permanecer lá com tantas lembranças e não fossem também os cuidados dos vizinhos que me conhecem desde criança, eu não teria conseguido sair daquela depressão. Realmente na nova casa melhorei o astral e senti que posso recomeçar. Claro que ainda dou um passo para frente e dois para trás de vez em quando, mas pele menos agora faço tudo com uma maior observação, tentando trazer à razão as minhas ações para conseguir perceber quando estou me boicotando ou não.

Também estou tentando aceitar e já aceitando muito melhor que quando amamos muito alguém, temos que querer que esta pessoas esteja bem e feliz. De que adianta estar aqui entre nós sofrendo, doente, sentindo dores e vivenciando a proximidade da morte todos os dias? Não, o meu pai não merecia permanecer aqui nestas condições. Ele era muito sábio, bebia a vida com ânsia, com alegria. De qualquer forma ele permanece aqui comigo, porquê cada traço da minha personalidade tem um pouquinho dele, cada plano de vida meu tem um pouco da sabedoria que ele soube me passar. Quero agora, com todo o meu coração, que ele simplesmente fique bem onde estiver, dando aos que estiverem por lá, a oportunidade de conviver com alguém tão especial.

Está mais perceptível para mim que a pior morte é a de tudo que morre dentro de nós enquanto vivemos. E eu tive um bom professor e quero amar a vida de novo.

"Nunca se esconda atrás de uma limitação sua para encarar a vida e as pessoas" (Meu pai, José Mariano Gonçalves)

Fundo Musical: Vento no Litoral | Pais e Filhos (Legião Urbana)