quarta-feira, 29 de junho de 2005

QUASE

Aos amigos visitantes: falta-me a inspiração, então hoje recorri a um texto atribuído a Luiz Fernando Veríssimo:
"Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez é a desilusão de um "quase". É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa bendita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive... já morreu!!"
"Você pode não ter tudo que gostaria, mas certamente tem tudo que precisa."
Fundo Musical: "Red House" (Jimi Hendrix) e na sequência: "Iris" (Goo Goo Dolls)

domingo, 26 de junho de 2005

MONÓLOGO VII - ESCOLHAS

Ás vezes gostaria de ter alguém para decidir por mim.
Que responsabilidade fazermos nossas escolhas!!!
E se eu deixar passar esta oportunidade, outras virão?
Sei que estou fazendo a minha parte para estar apta a optar.
Para quê parei de acreditar?
Enfim, devo casar, levar o meu cachorro para andar de patins ou comprar uma bicicleta?
Manteiga ou requeijão?
Café ou leite?
Arroz ou feijão?
Pela manhã ou à noite?
No inverno ou no verão?
Branco ou preto?
Chico ou Caetano?
Talvez se parássemos de tentar decidir descobríssemos que ao invés de fazer opções poderíamos ter "complementos e adições".
De novo, monologando filosóficamente e ainda na fase mais introspectiva da minha vida...
Ah e quem foi que disse que tudo tem que fazer sentido?

"A verdadeira pergunta é: o quanto da verdade você é capaz de suportar?" (Nietzsche)

Fundo Musical: "Fico assim sem você" (Adriana Calcanhoto) e na sequência: "Depois de ter você" (por Maria Bethania).

domingo, 19 de junho de 2005

MATRIX
Bom, acho que a maioria das pessoas pelo menos uma vez na vida já passou por uma pequena "depressãozinha", afinal, altos e baixos acontecem com todo mundo.
Eu estou passando por uma. Na verdade a primeira daquelas fortes mesmo (pelo menos que eu tenha percebido).
E dentro outros pensamentos que realmente eu não gostaria de ter, me veio aquele questionamento oriundo de quem está meio para baixo: a vida às vezes não tem muito sentido. Como se fôssemos de alguma forma manipulados e realmente não enxergássemos as coisas como realmente são. Como se apenas repetíssemos alguns modelos que nos foram apresentados.
Assistindo TV me vem mais uma vez a sensação: os que nos representam demonstrando toda sorte de mal caratismo, visando apenas o vil metal e ignorando quaisquer consequências a fim de obter riqueza e principalmente poder e eu me perguntando se vale a pena e para quê estou aqui.
Claro que pedi socorro para os que amo (100% amigos) e que não me faltaram, como sempre, me dando a lucidez (?) necessária para buscar forças, dar a volta por cima e continuar.
Bom, vou conseguir, tenho certeza, mas enquanto isto:
"Tá bom...Deus inventou isto, inventou aquilo e quem inventou Deus?"
"Qual o sentido de levantar, trabalhar, voltar, dormir, acordar, levantar, trabalhar, dormir"?
O que é real?
O que criamos a partir da única referência que possuímos?
Estamos acordados?
Engraçado é que dizem que os loucos são assim porquê são tão inteligentes que se recusam a viver o mundo real.
Será que estou enlouquecendo? Infelizmente acho que não ( o que prova que estou, porquê quem enlouquece nega até a morte que esteja louco...risos).
Estou te assustando? Eu a quem sempre recorrem em busca de compreensão, afeto, resposta, apoio, lucidez?
Só estou tendo a ousadia de questionar o que existe por trás da grande Matrix (eu só assisti o primeiro filme, tá? Imagine só se eu tivesse assistido a trilogia?).
Minha alma é inquieta. Minha mente é inquieta, mas a "Mente" mente e eu sei disto. De forma que estou neste momento de expectadora do que ela está tentando me dizer.
Perceberam que embora eu tente "dialogar" sempre volto ao meu monólogo? Me desculpem pela introspecção. Mas estou na minha primeira depressão tentando tirar algo de bom disto aqui.
Como me disse um amigo certa vez: "E la nave va" (a vida continua...).
"As vezes ficamos enlouquecidos, porque esquecemos que somos diferentes. Porque o amor não é uma competição para que cada um supere a força do outro, mas uma cooperação que necessita dessas diferenças." Richard Bach
Fundo Musical: "Dias de Esperança" (Luiz Melodia) e na sequência: "Todos os dias" (Zélia Duncan)

sábado, 11 de junho de 2005

CICLO

Adoro esta palavra que às vezes pode ter um significado paradoxal. Lembra o infinito (círculos) mas ao mesmo tempo representa o início e o fim.
Eu particularmente estou vivendo o final de um ciclo mas com uma sensação de dejavú. E isto me faz refletir se a 'repetição' de alguns episódios não seriam mesmo uma 'repetição' derivada das minhas atitudes. Mas então isto nos leva à teoria da "causa e efeito". Sou responsável por cada momento que estou vivendo. Plantei cada semente e penso que a conscientização disto de alguma forma me liberta e quem sabe possa me salvar e me fazer escolher melhor as sementes para que no final do próximo ciclo a colheita me seja um presente.
Não reclamo, não me sinto injustiçada e sei que tenho responsabilidade sobre cada segundo de alegria ou tristeza, fartura ou escassez, sucesso ou fracasso, solidão ou companheirismo, saúde ou doença.
Andar em círculos às vezes é associado à estagnação de uma situação, no que discordo, uma vez que o que determina a evolução é o sentimento pessoal de cada um nesta experiência _ nós fazemos nosso próprio Ciclo.
"Ninguém pode viver o AMOR ou a DOR em seu lugar. Sua vida, só você a vive."
Fundo Musical: "Epitáfio" (Titãs) e na sequência: "Filtro Solar" (por Pedro Bial).

terça-feira, 7 de junho de 2005

RELIGIOSIDADE

Já fizeram uma prece? Sinto como se eu tivesse uma engrenagem dentro da alma e ás vezes percebo que ela está precisando de uma manutenção. Então eu me ajoelho e faço uma prece. Uma prece ao Universo, à Natureza, à Deusa e ao Deus. Uma prece a Allah. Uma prece à Isis.
Costumo dizer que a prece é o nosso cordão umbilical com a Força Maior, não importa a denominação que tiver _ religião é um tanto diferente de religiosidade.
Prece Irlandesa
"Que a estrada se abra a tua frente,
Que o vento sopre levemente às tuas costas
Que o sol brilhe suave e morno em tua face
Que a chuva caia de mansinho em teus campos,
E até que nos encontremos de novo,
Que Deus te guarde na palma de Suas mãos."
A Grande Invocação
"Do ponto de luz na mente de Deus
Flua luz às mentes humanas
Que a luz desça à terra.
Do ponto de amor no coração de Deus,
Flua amor aos corações humanos;
Que aquele que vem volte à terra.
Do Centro onde a vontade de Deus é conhecida,
Guie o propósito todas as pequenas vontades humanas;
O propósito que os mestres conhecem a que servem.
Do Centro a que chamamos a raça humana,
Cumpra-se o plano de amor e a luz;
E que ele vede a porta onde mora o mal.
Que a luz, o amor e o poder
Restabeleçam o plano na terra."
"Para ser grande sê inteiro, nada seu exagera ou exclui!". (Fernando Pessoa )
Fundo Musical: "Oblivion" (Astor Piazzola), e na sequência: "Sempre não é todo dia" (Oswaldo Montenegro)

segunda-feira, 6 de junho de 2005

YÁ HABIBI

Sempre desejo aos meus amigos: "Que tudo que você quiser verdadeiramente e de coração, possa o Universo providenciar para que se torne realidade".
Aproveito para complementar: cuidado com o que você pedir, porquê pode se concretizar.
A vida é mesmo tão interessante e feita de ciclos! Algumas coisas tendem a se repetir. Tudo é relativo e às vezes só depende do referencial que temos.
Bom, este post não deixa de ser outro monólogo com alguns "ideagramas" (já leram 'O Código Da Vinci?')
MADANA MOHANA MURARI ("Por seres mais sedutor do que o próprio cupido, roubaste o meu coração.")
OM MANI PADME HUM ("Devemos superar o lodo das negatividades e desabrochar as qualidades positivas")
Alguns bons motivos me fizeram voltar a praticar a dança do ventre - celebração da vida !
A salamo a-leikom (Que a paz esteja com você!)
"Quando o discipulo está pronto, o mestre aparece!"
Fundo Musical: "Elleila Ya Samra" (Mohamed Mounir) e na sequência: "Habibi Nura Ayne" (Alabina)

sábado, 4 de junho de 2005

MONÓLOGO VI
Estava aqui me lembrando hoje de quando andávamos de mãos dadas dentro do apartamento (de um dos, né?). Aí me lembrei de tantas outros detalhes, só nossos...
Eu fingia que dormia quando você levantava de madrugada e quando ia tomar banho eu levantava bem devagarinho, fazia o café e colocava a mesa, sempre com um bilhetinho e então voltava a dormir e ouvia teu sorriso quando encontrava a surpresa.
Mesmo após mais de três anos, eu ainda sentia aquele friozinho na barriga, dos apaixonados, quando ouvia o barulho da chave abrindo a porta.
Lembrei de quando te levei para jogar boliche e também quando te raptei no meio da tarde.
E a nossa copa do mundo? Parecia que tinha uma multidão dentro da sala...
Os pastéis da feira, os pães com mortadela e coca-cola, risos...
Nossa paixão por livros, jornais, revistas, música, arte! Por falar em arte, lembrei de nós pintando nossos quadros...bom, você mais pintava as próprias roupas e cabelos e braços, mas tudo bem, isto é arte também, seria um "auto-retrato"?
Das nossas aventuras em minhas entrevistas de recolocação profissional em outros Estados.
De quando fugimos para a pousada.
De quando subimos até o pé de eucalipto e enxergamos o mar aberto e então descobrimos que era ali que iríamos morar.
Lembro quando eu ficava de "co-pilota" enquanto você fazia o almoço e quando era batata frita por mais que você as fritasse, nunca ficava alguma no prato...quem será que as comia?!!!
E quando você levava café ou almoço ou jantar na cama e fazíamos bagunça!
Lembro que nunca tomávamos sequer um copo d'água sem dividirmos.
Nossa! lembra da Estrela do Mar que salvamos? Nunca vou esquecer...
Lembrei que quando vi tuas lágrimas fui capaz de entregar tudo o que eu tinha nas mãos de alguns estranhos e fiquei com você, correndo o risco de que eles me levassem tudo.
E quando adoecemos juntos? Quando você faltou no trabalho por muitos dias, só para segurar minha mão?
Estou aqui sorrindo de lembrar algumas outras coisas.
Estavamos tão predestinados a não nos separarmos nunca. Ainda não entendo o que aconteceu. Penso mesmo que você também não entenda. Na verdade sei que não nos separaremos nunca, de alguma forma. Porquê podem tirar tudo o que possuímos, mas os momentos que fizemos e a história que escrevemos, são nossos...apenas nossos.
Tá, eu sei nem tudo foram momentos bons, mas no amor é assim...estes momentos ruins parece que temos o dom de apagá-los da memória e do coração.
Não acho que exista alguma possibilidade mais. Mas quero te dizer que eu sei que você tanto quanto eu, de algum jeito e para sempre: "ainda"..."apesar de".
"...Porém muitas vezes elas (as almas) se encontram em um tempo e em um espaço diferentes do que suas realidades possam permitir. Mas depois que se encontram ficam marcadas, tatuadas e ainda que nunca venham a caminhar para sempre juntas, elas jamais conseguirão se separar. "
Fundo Musical: "Quem de nós dois" (Ana Carolina) e na sequência: "Brigas" (por Gal Costa).