Costumo dizer que Florianópolis não "abriu minha mente" - Florianópolis "rachou minha cabeça".
Antes de morar aqui eu era pura "retórica".
Tinha frases prontas: "Não tenho "pré" conceitos", "Todos são livres" e blá blá blá.
Em São Paulo, conheci apenas um amigo (que eu amo muito) gay e até me mudar para Floripa nunca havia nem sentido o cheiro ou visto uma folhinha de maconha.
Após Florianópolis: um casal de homens (que eu amo muito também) gays são amigos com os quais sei que posso sempre contar, uma mãe adotiva lésbica (quando à apresentei ao meu pai, foi muito bacana: "Pai, esta é minha mãe adotiva e esta é a esposa dela"), uma amiga lésbica morou em minha casa por 8 meses, a dona da primeira casa onde morei em Floripa era casada com outra mulher e por isto conheci muitas pessoas com a orientação sexual diferente da minha, já me apaixonei por uma mulher e sempre digo que se ela fosse um homem eu me casaria com ela (não, não sinto atração física por mulheres), muitos amigos são usuários de maconha (nunca experimentei - mas aquele cheiro realmente me deixa com dor de cabeça). Nunca em São Paulo estive em uma favela, aqui já fui mais de uma vez ao morro, em casa de pessoas realmente corretas, honestas, divertidas, especiais, que dividiram comigo o pouco alimento que possuíam e me senti tão feliz quanto me sinto em casa de amigos na Beira-Mar norte.
Em São Paulo namorei com um homem negro do qual me separei porquê ele era extremamente racista, tratou mal em minha casa meus amigos que são negros também e estava namorando comigo porquê eu era branca!!!!
Preciso dizer (os que me conhecem pessoalmente sabem), que eu mesma já sofri preconceito por ser gorda em um país praticamente obeso.
Conheci o alcoolismo dentro da minha própria casa e sei que isto é uma doença. Já amei um alcóolatra também, mas isto não fez dele ou do meu próprio pai um ser humano inferior.
E quanto ao grau de escolaridade?!!! Quem foi que disse que cultura está diretamente relacionada a um Certificado de Graduação/ Pós / Mestrado /Doutorado?
Um dos homens com os quais mais aprendi em minha vida profissional tem só a 4ª série primária e hoje é dono de uma Fortuna.
Claro que há exceções e não estou mesmo generalizando.
Sou uma pessoa espiritualista mas é gostoso e dá uma sensação boa de proteção quando a minha "secretária do lar" trás oléo da Igreja Universal para ungir as portas da minha casa. A Fé que ela tem é linda, contagiosa.
O que me fez pensar sobre este assunto hoje é que odeio a Hipocrisia de alguns seres humanos que propagam aos quatro cantos do mundo que não possuem qualquer tipo de discriminação. Entretanto quando se vêem diante da oportunidade de praticar esta "oratória" toda, recuam, têm medo do julgamento de outros, deixam de compartilhar e de ter a oportunidade de conhecer "os mundos" que são muito mais do que cor, peso, orientação sexual, escolaridade, religião ou classe social!
Eu tenho tantos defeitos, mas também tenho orgulho de ser quem sou. Sou grata ao Universo pelos pais que tive e por ter a oportunidade de seguir as idéias nas quais acredito.
Só peço a cada um que estiver lendo este post que procure sempre ser fiel aos seus sentimentos e ideais de vida.
Que não fiquem apenas na retórica e que tenham a curiosidade de perceber como é bom colocar em prática algumas teorias.
Um "VIVA" às diferenças.
Fundo Musical: "Esta noite eu quero ir mais além" (Ana Carolina) e na sequência: "Eu não sou da sua rua" (Marisa Monte)
Um comentário:
Deirdre,
Adoro a "profundidade" do teu blog.
Venha sempre me visitar.
É uma honra ter a opinião de pessoas como você, que fazem diferença.
Abraço,
Simone
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